quinta-feira, 23 de julho de 2009

Quarta- feira, 22 de julho de 2009 às 02h15min.
Palácio Lilás

Fiquei algum tempo deitada, sem sono, os pensamentos voam longe com uma agilidade que só adquirem depois da meia noite.
Deixei que este impulso, de colocar no papel os pensamentos, me dominasse mais um a vez.
Estava pensando na necessidade de atenção que tenho, e o Luiz tem razão ao pedir que eu pare com essas crises de carência.
No início do blog eu nem ligava se o que eu escrevia era lido por alguém, os posts tinham sempre coisas rotineiras e iguais, vez ou outra um drama. Mas passado algum tempo, coloquei um contador de visitas, o que mostra a minha necessidade de atenção. Isso ocorreu significativamente após a mudança.
É claro que essa mudança afastou todos em quem eu confiava de mim, e talvez não ter a quem contar as coisas e chorar as pitangas tenha feito com que eu quisesse aumentar as pessoas que participam da minha vida, nem que fosse de forma virtual e distante.
Porém isso não funciona realmente, pois continuo sem um abraço amigo e sem um colo pra chorar.
Cada vez eu vejo as pessoas de quem gosto mais distantes, ainda mais com as implicações todas para poder vê-las.
Tenho tanta coisa pra contar pra tanta gente, tantas perguntas a fazer, tantas novidades que eu queria dividir e estar por dentro, de tantas vidas eu queria poder fazer parte ainda.
Mas o tempo passa, e a vida continua, frenética pra quem continua a trabalhar, estudar, namorar. As preocupações são muitas para dar tempo de lembrar de sentir saudade, de lembrar de pegar o telefone só pra saber se eu estou viva.
Algumas raras vezes eu sou assimilada com algo que passou, como uma música talvez, uma observação singular ou algo do gênero.
Meu pai me questiona e usa como motivo de discussão o porquê de eu carregar dois celulares, “porque manter se número de são Paulo, se sua vida agora é aqui?”, “ninguém te ligava nem quando você estava lá, agora, aqui ligarão muito menos!”. Digo que não é verdade, mas parte de mim cansou de tentar me convencer do contrario.
Falar um oi no MSN é uma coisa fácil, você faz com qualquer um a todo momento. Deixar um recado no Orkut ou ainda enviar um e-mail já é algo mais trabalhoso, talvez se for uma resposta. Agora, nada que se compare ouvir a voz de alguém querido do outro lado da linha, nada melhor do que sentir as vibrações e emoções passadas pela voz, como se a pessoa estivesse muito mais perto, mas isso exige um grau de proximidade e sentimento muito grande, implica em procurar um número, mesmo sendo na agenda eletrônica, apertar o verde pra ligar, esperar que o outro atenda, para só então conversar. E ainda tem o porém do custo da ligação, que mesmo assim nem é tão caro, porque não é interurbano pro meu celular.
Difícil, difícil, muito difícil.
A pessoa que mais me liga é a mulher do cartão de crédito, e só porque o salário dela depende disso e isso apenas se repete porque eu recuso o cartão.

Estou numa fase decepcionada/descrente das pessoas.
Estou chateada comigo mesma por não ligar e ainda exigir que me liguem.
Mas como posso ter certeza de que sou tão importante a ponto de ser atendida, se quando viajo até lá, mal tenho onde ficar, às vezes nem companhia pra passar a tarde.
Estou deprimida com o desenrolar das coisas aqui em casa e nem posso encher a orelha de alguém de lamentações, nem tenho a quem recorrer.
Estou pasma com meu egoísmo todo.

Acho que estou com TPM {que bom, isso é muito bom!}, mas muitos desses sentimentos não vão mudar com o passar da TPM, muitos fatos não mudam, muitos acontecimentos vão continuar os mesmo, e meu celular, a vai continuar sem tocar, a não ser pelo peão que está me xavecando.
O que me preocupa em tudo isso é o fato de faltarem as lágrimas, o aperto no coração que representa saudade e falta. Estou fria, isso me assusta. Será que eu não dou mais tanta importância? Ou será que consegui barrar estes sentimentos para que eles não me atinjam como antes? Ou será que eu á me acostumei a viver dessa forma vazia?
Eu continuo sem sono, minha mão dói por escrever tanto. Agora lembro-me porque desisti do papel e caneta e aderi a tecnologia do Lap Lop, porque minha tendinite só ataca meu braço quando eu aperto a caneta e a Mao fica fechada em torno dela por muito tempo.
É hora de desligar a mente e tentar entrar num mundo de sonhos e de preferência sem furos no braço.

Aperta a caneta roxa pra guardar a ponta, fecha o caderno velho e coloca na gaveta, apaga i abajur e capota.

2 comentários:

Carol Fonseca disse...

karol,mais uma vez me vi no seu post,eu também me mudei a um tempo atrás pra uma cidadezinha do interior,e vivi tuo isso que aqui você conta agora,mas sabe o que eu aprendo com tudo isso?
que amigos de verdade são poucos,pouquíssimos,mas eles não nos deixam nesses momentos,aprendi com a mudança de vida a valorizar e ver,quem realmente me ama,e não quem está comigo só quando a vida está boa.
beijão

Fernando disse...

EU TE LIGUEI mas vc não deixa o telefone ligado! (L)